Fundado há 10 anos, espaço promove aulas de defesa pessoal, além de oferecer apoio jurídico e psicológico
Entre mulheres e crianças vítimas de violência física, psicológica ou sexual, o Instituto Maira Bandeira (IMB) recebe presencialmente por mês, aproximadamente, 150 alunos para aulas de defesa pessoal, além de oferecer apoio jurídico e psicológico por meio de uma rede de apoio com profissionais da área. Fundado há 10 anos, o espaço funciona na Vila Friburgo, bairro residencial da zona Sul de São Paulo, na região da Capela do Socorro.
"Tenho experiências ruins tanto do tempo de criança como já adulta. As artes marciais sempre me ajudaram a enfrentar os traumas que essas situações causaram, como também pode servir para evitá-las, por meio de algumas técnicas de luta. Repassar esse conhecimento para que outras pessoas aprendam a se defender foi o que me motivou a iniciar esse projeto", conta a lutadora de Jiu-Jitsu e ativista social Maira Bandeira.
Além de dar aulas de defesa pessoal, ela também percorre o país realizando palestras e workshops sobre o combate à violência contra a mulher, com uma agenda que inclui eventos privados, contratada por empresas de diferentes segmentos e tamanhos, e compromissos públicos. Recentemente, por exemplo, ela foi convidada pela Câmara Municipal de Curitiba para participar de uma audiência pública sobre segurança feminina na cidade.
"Estamos observando uma escalada de violência contra as mulheres, com um aumento estarrecedor nos casos de feminicídio. Além da necessidade de se fazer justiça por cada vítima, penalizando os culpados, precisamos buscar meios de reverter essa situação, de garantir segurança às mulheres. Um trabalho que exige participação da sociedade, mas que deve ser conduzido principalmente pelos nossos governantes", diz Maira Bandeira.
Para ampliar o número de pessoas beneficiadas por esse projeto, o IMB já conta com alguns polos de atendimento distribuídos pela capital paulista e região da Grande São Paulo (Morumbi, Interlagos, Anhangabaú e Santo André) e já começa a chegar a cidades de outros estados, como em Florianópolis, Brusque, Tubarão e Garopaba, em Santa Catarina. "Os polos funcionam em parceria tanto com o setor público quanto privado, e nossa meta é se espalhar por todo o Brasil", conta a fundadora.
De acordo com dados do Atlas da Violência 2025, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 50% dos feminicídios ocorreram em cidades com até 100 mil habitantes, sendo 19,6% dos casos em localidades com até 20 mil habitantes, e 19,7% em lugares entre 20 e 50 mil pessoas. Ao todo, Brasil teve 1.568 casos no ano passado, um aumento de 4,7% sobre 2024 e 14,5% em relação a 2021.