Garopaba recebe nesta quinta-feira, dia 13 de agosto, uma agenda importante para os pescadores, aquicultores e comunidades tradicionais do município. O ministro de Estado da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, estará na cidade para participar de atividades voltadas ao setor pesqueiro e conversar com pescadores e lideranças.
A programação começa pela manhã, em São José, mas durante a tarde as atividades acontecem em Garopaba, na Praia do Ouvidor, reunindo representantes do Governo Federal, órgãos ambientais e lideranças das comunidades pesqueiras.
Um dos principais momentos da agenda será o lançamento do Programa Rancho Legal, previsto para as 13h30, no Rancho do Seu Totó, na Praia do Ouvidor.
O programa será desenvolvido em parceria com a APA da Baleia Franca/ICMBio, a Superintendência Federal de Pesca e Aquicultura em Santa Catarina (SFPA/SC) e a Superintendência do Patrimônio da União em Santa Catarina (SPU/SC).
Para nós, pescadores, essa iniciativa merece muita atenção. Os ranchos fazem parte da história e da cultura da pesca artesanal de Garopaba. São espaços onde famílias de pescadores trabalham, guardam suas embarcações e equipamentos e mantêm viva uma tradição que atravessa gerações.
Outro momento de grande importância será a entrega das Portarias dos Projetos de Assentamento Extrativista (PAE) Pescadores, em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA/SC).
Essa medida está relacionada ao reconhecimento e à proteção dos territórios utilizados tradicionalmente pelas comunidades pesqueiras. É uma questão que merece ser acompanhada de perto pelos pescadores, pois envolve o futuro dos espaços onde a pesca artesanal acontece e a permanência das comunidades tradicionais em seus territórios.
É importante deixar claro que uma agenda como essa não significa que todos os problemas dos pescadores estejam resolvidos. Pelo contrário: ela representa uma oportunidade para que os pescadores sejam ouvidos, apresentem suas necessidades e participem das decisões que envolvem seu trabalho, sua cultura e seu território.
A presença do ministro da Pesca em Garopaba também mostra que a pesca artesanal precisa estar presente nas discussões sobre o desenvolvimento do município.
Garopaba cresceu muito e se tornou conhecida pelo turismo, pelas suas praias e pelas suas belezas naturais. Mas antes de tudo isso, Garopaba já tinha seus pescadores, seus ranchos, suas canoas, suas redes e suas famílias vivendo da relação com o mar e com a pesca.
Por isso, precisamos defender uma visão de desenvolvimento que permita que o turismo, a preservação ambiental e a pesca tradicional possam caminhar juntos.
Essa é uma oportunidade para reforçarmos uma mensagem simples: o pescador não é um problema para o desenvolvimento de Garopaba. O pescador faz parte da história, da cultura, da economia e da identidade do nosso município.
Cabe também às associações, lideranças, autoridades e aos próprios pescadores acompanharem de perto essas iniciativas e cobrarem que os projetos saiam do papel e tragam resultados concretos para quem vive da pesca.
A pesca artesanal precisa ser respeitada, valorizada e protegida. E nós, pescadores de Garopaba, precisamos ocupar nosso espaço nas discussões que decidem o futuro da nossa comunidade.
Por Paulo Joaquim Luz diretor da APG