Surfista de Maui, com raízes na Praia do Tombo, conquista categoria para atletas menores de 18 anos após surfar Jaws na remada
O mesmo palco que celebrou o retorno de Rodrigo Koxa ao topo das ondas gigantes também marcou um novo passo na carreira de Ian Pegoraro. Aos 12 anos, o surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer) do Big Wave Challenge 2026, uma das principais premiações do surfe de ondas grandes.
A cerimônia aconteceu no último dia 19, no Lido Theater, em Newport Beach, na Califórnia. Na mesma noite, Koxa, surfista do Guarujá, recebeu o troféu de Men's Biggest Wave pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025. A marca teve medição preliminar de 29,15 metros e ainda passa pelo processo de homologação. (Globo Esporte)
Para Ian, a premiação veio depois de uma temporada em que Jaws, em Pe?ahi, passou a fazer parte de uma etapa importante de sua evolução. O jovem surfista enfrentou uma onda gigante no pico havaiano na remada, sem o auxílio de jet ski, e conquistou o prêmio na categoria destinada a surfistas com menos de 18 anos. (Surfer)
A relação de Ian com as ondas grandes começou ainda mais cedo. Em uma de suas experiências anteriores em Jaws, ele foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto seu pai, Laerte Pegoraro, conhecido como Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água.
Agora, o desafio foi outro. Ian entrou na onda na remada e usou a própria força para ganhar velocidade e descer a parede de Pe?ahi.
"Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial", conta Ian.
A história do surfista também cruza dois lugares ligados à sua família. Ian nasceu e cresceu em Maui, mas seus pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá, onde os avós do atleta continuam morando.
O pai, Laerte Pegoraro, conhecido como Nena, acompanha a trajetória do filho desde os primeiros passos no surfe.
"Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes", afirma Nena.
Atualmente, Ian treina com Alex Blau, brasileiro e big rider de Mavericks, e Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui o trabalho específico para ondas grandes e também outras modalidades praticadas pelo atleta, como skate e Brazilian Jiu-Jitsu.
No skate, Ian já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e participou de competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF.
No surfe, ele ocupa atualmente a 12ª colocação no Ohana Surf Circuit e pretende seguir avançando nas competições e buscar novas experiências em ondas grandes.
A premiação de 2026 coloca Ian na mesma lista de vencedores que teve Koxa como um dos principais nomes da noite. O brasileiro, que já havia sido recordista mundial de maior onda surfada, voltou a conquistar o prêmio de Maior Onda Masculina no Big Wave Challenge. (WAVES)
Para Ian, o momento representa também a união das duas culturas que fazem parte da sua história: o Havaí, onde nasceu e cresceu, e o Brasil, país de origem de sua família.
"Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares", diz Ian.